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Qualidade

Como relatar um problema no sistema e agilizar a correção

Um bom relato de erro não é burocracia: é o caminho mais curto até o conserto. Guia prático, com exemplos de report ruim e bom, para quem usa o sistema e precisa avisar quem desenvolve.

Guilherme Chaves7 min de leitura
Como relatar um problema no sistema e agilizar a correção

Todo software tem bugs. Isso não é descuido — é parte de construir algo que muita gente usa, de jeitos que ninguém previu. O que separa um problema resolvido hoje de um problema que fica uma semana em ping-pong não costuma ser a gravidade do erro. É a qualidade do relato.

Quando o chamado chega como "não está funcionando, corrige urgente", quem desenvolve gasta o primeiro dia só descobrindo o que você quis dizer. Cada pergunta de volta — "onde?", "o que apareceu?", "consegue mandar um print?" — é mais um dia com o problema no ar. Um bom report entrega essas respostas de antemão. Ele não é formalidade: é o atalho até a solução.

E a boa notícia é que você não precisa saber programar para escrever um. Precisa só contar a história certa, na ordem certa. Este é o roteiro.

1. Um título que já diz o problema

O título é a primeira coisa que quem desenvolve lê — e, numa lista de dez chamados, às vezes a única. Ele precisa dizer onde e o quê, curto e específico. Um bom título também evita duplicados: fica fácil perceber que aquele problema já foi relatado antes.

Ruim: "Não consigo ver o paciente quando cadastro, clico e não vai. Corrigir urgente!"

Esse título é vago, emocional e não localiza nada. Compare:

Bom: "Cadastro de pacientes — pacientes novos não aparecem na lista"

O segundo já entrega a área do sistema e o comportamento errado. Dá para decidir a urgência e saber por onde começar só de bater o olho.

2. Um resumo com quando e onde

Se o título não conta a história toda, acrescente um resumo curto. A regra é: o mínimo de palavras, incluindo quando e onde aconteceu. Pense que esse texto pode ser buscado depois — use as palavras que você mesmo usaria para procurá-lo.

Ruim: "De manhã eu tentei trocar minha foto mas não consegui clicar."

Bom: "Terça de manhã, ao atualizar o perfil, tentei trocar a foto e o botão 'Trocar foto' não apareceu."

E descreva o problema, não o remédio. "O formulário está feio e esticado" ajuda menos do que "o formulário não está respeitando a fonte padrão e os campos poderiam ficar lado a lado em vez de empilhados". O primeiro é uma reclamação; o segundo é uma informação com a qual dá para trabalhar.

3. Uma imagem vale mil chamados

Um print vale mais que três parágrafos. Um vídeo curto vale mais que o print. Eles mostram de uma vez o que aconteceu, em que tela, com quais dados — coisas que a gente sempre esquece de escrever. Se dá para gravar a tela reproduzindo o erro, grave. É o tipo de esforço de dez segundos que economiza horas do outro lado.

4. O que você esperava vs. o que aconteceu

Este é o coração do report. Diga, em duas linhas, o que deveria ter acontecido e o que de fato aconteceu. Essa diferença é o bug.

Resultado esperado: ao clicar em "Trocar foto", abrir a janela para escolher a imagem.

Resultado atual: o botão "Trocar foto" nem aparece.

Sem essa comparação, quem desenvolve precisa adivinhar qual era a sua expectativa — e às vezes o "erro" é só uma tela funcionando diferente do que você imaginava.

5. O passo a passo para reproduzir

Essa é a parte mais valiosa e a mais esquecida. Assuma que quem vai consertar não faz ideia de como chegar no erro. Como você chegou lá?

  1. Entrar em "Meu perfil"
  2. Clicar em "Trocar foto"
  3. Passar o mouse sobre a foto atual
  4. Clicar para trocar

Use uma lista numerada. E, se você testou algumas vezes, diga com que frequência o erro aparece — "acontece toda vez" é uma informação diferente de "aconteceu uma vez só".

Se você mesmo não consegue reproduzir o erro de novo, quem desenvolve dificilmente vai conseguir. Tente refazer o caminho antes de abrir o chamado.

Bug que se reproduz sempre é bem mais fácil de caçar do que bug que aparece de vez em quando.

6. O ambiente onde aconteceu

O mesmo sistema pode se comportar de formas diferentes dependendo de onde é usado. Alguns detalhes fazem muita diferença:

  • Navegador (Chrome, Safari, Firefox…) e, se souber, a versão.
  • Aparelho e sistema — celular ou computador, Android, iPhone, Windows.
  • Tamanho da tela — vários bugs só aparecem no celular ou só na tela grande.

Você não precisa virar especialista. Só diga de onde estava acessando quando o problema apareceu.

7. A URL e, se der, os logs do console

A URL é simples e quase sempre esquecida. O endereço da página (aquele https://... lá em cima) diz exatamente em que ponto do sistema você estava. Copie e cole.

Os logs do console são um bônus técnico. Muitos erros deixam um rastro escondido que aparece ao apertar F12 (ou Ctrl + Shift + I) no navegador, na aba "Console". Se você se sentir à vontade para tirar um print dessa tela, ótimo — pode conter a resposta exata. Se não, tudo bem: os itens anteriores já resolvem a maioria dos casos.

8. Diga o quanto dói

Ajude a definir a prioridade. Nem todo bug é urgente, e tratar tudo como emergência faz o que é realmente crítico se perder no meio. Vale separar duas coisas:

  • Gravidade — o quanto atrapalha. Impede de trabalhar? Trava uma venda? Ou é um detalhe visual que incomoda mas dá para conviver?
  • Urgência — o quão rápido precisa ser resolvido para o seu negócio.

"O botão de finalizar pedido não funciona, ninguém consegue comprar" e "a fonte do rodapé está um pouco grande" são os dois bugs — mas não disputam a mesma fila.

9. Cinco hábitos que fazem a diferença

  • Um bug, um chamado. Não junte três problemas num relato só; cada um vira difícil de acompanhar e de fechar.
  • Procure antes de abrir. Talvez o problema já tenha sido relatado — evita trabalho repetido dos dois lados.
  • Reproduza antes de relatar. Se você mesmo não consegue refazer o erro, quem desenvolve dificilmente vai conseguir.
  • Foque no problema técnico. Deixe ideias e sugestões de melhoria para outro momento; no chamado, o que importa é o que quebrou.
  • Registre num lugar só. Um canal combinado — e-mail, uma ferramenta, uma planilha — vale mais do que mensagens espalhadas em três aplicativos.

O report é uma conversa

No fim, reportar bug bem é uma forma de colaboração. Bugs acontecem; o que decide a rapidez da solução é quão claro chega a informação. Um relato caprichado poupa idas e vindas, respeita o tempo de quem desenvolve e devolve o problema resolvido mais cedo para você.

Na ChavesTech, esse ping-pong quase não existe: como você fala direto com quem desenvolve, um print no lugar certo e duas frases bem colocadas já colocam a correção em andamento. Não há uma camada de suporte traduzindo o seu problema para outra pessoa — a sua descrição chega inteira em quem vai resolver. E é assim que bug deixa de ser dor de cabeça e volta a ser o que sempre foi: parte normal de manter um software vivo.

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