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Negócios

De quem é o código quando o sistema fica pronto?

Você pagou pelo desenvolvimento, mas será que o sistema é mesmo seu? Acesso ao código, às contas e ao domínio decide se você é dono ou refém do fornecedor.

Guilherme Chaves6 min de leitura
De quem é o código quando o sistema fica pronto?

Toda vez que um cliente novo chega querendo trocar de fornecedor, eu faço a mesma pergunta antes de qualquer coisa: você tem acesso ao código? Na maioria das vezes vem um silêncio do outro lado. A pessoa pagou anos por um sistema e nunca parou para pensar que talvez não fosse dela.

É um assunto chato, eu sei. Ninguém fecha um projeto pensando no divórcio. Mas é justamente por isso que vale a pena falar dele logo no começo, enquanto está todo mundo de bem.

Pagar pelo desenvolvimento não é a mesma coisa que ser dono

Parece a mesma coisa, mas não é. Tem fornecedor que te cobra pelo sistema inteiro, hospeda na conta dele, registra o domínio no nome dele, guarda o código num repositório que só ele enxerga. Você paga uma mensalidade e usa. Funciona super bem, até o dia em que você quer mudar alguma coisa que ele não quer fazer, ou pedir um orçamento pra outra pessoa.

Aí você descobre que não tem o que entregar pra essa outra pessoa. Sem código, sem acesso ao servidor, sem as senhas dos serviços que o sistema usa. O que você tem é a tela funcionando no navegador, e mais nada.

Se sair do seu fornecedor significa começar tudo do zero, você não contratou um sistema. Contratou uma assinatura que por acaso parece um sistema.

As três coisas que precisam estar no seu nome

Não é complicado, e não precisa ser advogado pra resolver. São basicamente três frentes:

  • O código. O repositório (geralmente no GitHub ou GitLab) tem que ter você ou a sua empresa como dono, não só o desenvolvedor como colaborador. Se amanhã ele sumir, o código continua com você.
  • As contas de infraestrutura. Servidor, banco de dados, domínio, e-mail, serviços de pagamento. Tudo isso deveria estar registrado num e-mail da sua empresa, com você no controle. O fornecedor entra como convidado, não como dono.
  • A documentação mínima. Não precisa ser um manual gigante. Precisa de um README que explique como rodar o projeto e uma lista de onde está cada coisa. Sem isso, trocar de equipe vira arqueologia.

Repara que nada disso impede o seu fornecedor atual de trabalhar. Ele continua com acesso total enquanto a relação existe. Só que o controle é seu.

"Mas eu confio no meu desenvolvedor"

Confiança é ótima e não tem nada a ver com isso. Eu confio em gente que não tem backup também, não quer dizer que seja uma boa ideia.

A questão não é desconfiar de ninguém. É que pessoas mudam de vida, empresas fecham, parcerias terminam. O desenvolvedor mais honesto do mundo pode ter um problema de saúde, mudar de país, decidir largar a profissão. Se o seu negócio depende de um sistema, ele não pode depender de uma única pessoa estar disponível e de bom humor.

Tem outro detalhe que poucos comentam: quando você é dono de tudo, a relação fica mais saudável dos dois lados. Aí o fornecedor te mantém porque é bom no que faz, e não porque você não tem pra onde correr. Conversa de gente que se respeita.

O melhor momento de resolver isso é antes de começar

Pedir acesso no meio de uma briga é constrangedor e quase sempre dá errado. Pedir antes de fechar o projeto é só uma cláusula a mais, uma frase no contrato dizendo que o código e as contas são da contratante. Nenhum fornecedor sério recusa isso. Quem recusa está te dizendo, nas entrelinhas, qual é o plano dele.

Se você já tem um sistema rodando e não sabe responder de quem é o código, esse é um ótimo dia pra descobrir. Manda uma mensagem pro seu fornecedor pedindo acesso ao repositório e às contas. Se ele te passar numa boa, ótimo. Se começar a enrolar, você acabou de descobrir um problema antes da hora.

Aqui na ChavesTech isso nem é negociação: o código é seu, as contas ficam no seu nome, e se um dia você quiser levar o projeto pra outro lugar, leva. Eu prefiro que você fique porque quer, não porque está preso.

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